terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Bate mais!

De um desenho, de uma ex-futura internacionalista, para uma viajante, enfrentando geadas insólitas de um outono preguiçoso que saiu de férias antes da hora.

À bien tôt.


Ela é uma brisa.

Que passa
Lava meu rosto
Leva meu riso

Logo eu
Eu que era
De riso fácil
Dona da alegria
Devastadora
Escancarada
Em verdes
Folhas cinzas
Verdes cinzas
Farfalhantes

Ela, agora, é ventania
Não deixa nada em mim
Tudo que me toca
Me leva.
E tudo o que me deixa
Me tem.
E, como recomeço,
O que me sobra
É rigidez molhada
É ternura de pedra
É o chão
Duro e frio
Onde o sol não
Bate mais.

Bate mais!

p. villardi

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sábado, 11 de agosto de 2007

Medo

Achem o que quiserem achar.

A bien tôt.


Há vezes em que

O meio medo

É maior que

O medo inteiro.

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terça-feira, 3 de julho de 2007

As sobras...

A despeito do que muitos possam vir a pensar, não é auto-biográfico.

A bien tôt.


Sujo.

E sucumbindo ao cansaço
Saiu pela porta.
Ela, por sua vez, protestou.
Prometeu o mundo e algo mais.
Mas o cansaço venceu.

No segundo seguinte
Nada restou dele, no quarto
A não ser o cheiro e a lembrança
Para ela, ficaram as sobras

O que ele deixou foi pouco. Nada.
Um cheiro, uma incerteza.
A garrafa de vinho tinto. Vazia
Dois cigarros apagados no cinzeiro. Sujo.

Ela deitou no mesmo sofá
E colocou junto ao peito
Os versos que ele lhe escrevera
Ainda tinha a esperança
De que aquilo pudesse embalar seu sono.

Porém, não dormiu.
Pelo menos pensou assim.
E recusou todos os dias seguintes.

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terça-feira, 22 de maio de 2007

E pede...

Uma das coisas mais verdadeiras já vistas por aqui.


A bien tôt.

Tuas Mãos.

Dá-me tua mão
Que o vento que toca é nosso amigo
Fala inocente e preciso
O verso que Deus nos mandou ouvir

Coloca tua mão na minha
E pede.
Peça pra que a febre baixe
Pra que a noite acabe
Quando o dia vem

Junta teu peito no meu
Agora, percebe: fecha o olho
Seu grito veio de mansinho
E nossa calma vira, agora
Uma só.

Cola teu corpo no meu
E deixa o vento passar
Fica, pra mim, a impressão
Resta, pra ti, a certeza
Que vagueia, procurando seu lugar.

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quarta-feira, 25 de abril de 2007

Rápido, tão rápido...

O inverso do que realmente acontece. Ela achou lindo, outra ela diria que eu sou, realmente, um fingidor.


A bien tôt.
Dia

O dia passou tão rápido
Só você que não viu.
Não viu o sol chegar e sair,
A chuva para e cair
A boca se abrir e o olho fechar.
O mundo parar de girar

O mundo agora dorme,
E a outra metade se preocupa
Só eu pra compor agora.
Estou me sentindo Cazuza – me sentindo Deus.
Só as mães são felizes!
Eu também sou.
Mas sou louco e feliz,
Sou certo e talvez:
Sou eu e você – aqui e lá.
Somos e eu e você
Agora ou nunca é tarde...

O dia passou tão rápido,
Só sobramos nós dois:
Felizes e loucos,
Deuses ou não.

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quinta-feira, 5 de abril de 2007

Princesa da prosa.

Ela é o futuro de nossa literatura, se Deus quiser.

A bien tôt.

A Escritora

Como é difícil enfileirar palavras.
Prefiro quando estou umas abaixo das outras
Ela não.

As dispõe com habilidade ímpar
As coloca com tamanha precisão
Que adjetivos e advérbios tentam fugir
Mas igualmente têm seu lugar – ela os detém.

A escolha é sinuosa, mas precisa
Transparece tudo e todos: nada escapa.
Nem a vírgula nem o ponto, muito menos o ponto e vírgula

Então, vem o ritmo e me leva, me leva, me leva
Abraça-me, não resisto
É tentador, alucinante!

Ao mesmo tempo, outras palavras vêm de mansinho.
Transpirando sentimento
Com ela, elas não mentem, são suas aliadas
E perfiladas dizem tudo que ela quer dizer.

E ela sabe o que quer dizer.

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quinta-feira, 29 de março de 2007

Uma vírgula

Talvez tenha a ver com o momento, talvez não.
Perdoem a agonia.

A bien tôt.

E


E se sufoca
Por dentro e por fora
Por tudo e por nada
Pelo mundo
Pelo sim pelo não
Pelo talvez pelo depois
Pelo porquê
Pelo que já foi

E se culpa
Desculpa
O que faltou
Coragem bobagem
Quinze quatorze treze
Desista
Nove
Nove horas
Pra nada e,

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