quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Entrego-me

Camaradas,
Depois de eras volto a ter um desses aqui. É bem verdade que o prósito mudou, e como mudou.
Cansei de ter vergonha de ser poeta.
Fiquei a vontade e viajem para onde queiram.

Esse primeiro surgiu as 4:30 da manhã, estudando.
À bien tôt.

Entrego-me (Pedro Villardi)


Chega.

Entrego-me a lucidez
Aos textos justificados
Ao grafite que escorre em letras enlatadas

Entrego-me aos cafés de corredor
À desordem ordenada
Aos livros empilhados

Entrego-me as idéias infindas
Aos versos em folhas em branco
Sem uma gota de saber

Entrego-me ao igual
Ao que eu não quero
Ao que recuso

Entrego-me ao que não sou
Ao ponteiro dos segundos
Às segundas-feiras sem sol

Entrego-me ao cinza
Agora é o preto no branco
Quadrado, quadrado, quadrado

Entrego-me à fumaça
À fábrica que grita
Ao engarrafamento
Ao massacre diário

Entrego-me a falta de pretensão
À miséria de espírito
À aceitação blazé.da realidade.

Pronto, pode me levar:
Sou todo seu.

2 Comments:

Blogger Anna Carol Palqueou...

I´m very familiar to thir feeling!
Não se entregue, fique no lado da força!
bjs

9:55 PM  
Blogger Letícia Palqueou...

fabuloso.
esse sentimento de entrega ao que é mais forte do que nós mesmos me toma. não dá pra não se deixar levar pelo cansaço, pela dor, pela alegria, etc, etc.
e um viva pros seus poemas românticos!
(x
beijoca

2:16 PM  

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