sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Cinza

Esse é realmente cinza.
Desculpem os otimistas, mas no último do ano tenho que deixar minha marca. Acreditem, há quem goste.
Ah, sem açúcar, por favor.

A bien tôt.



Cinza. (Pedro Villardi)

Olha como o tempo está agora
Cinza, só cinza.
Passa mais rápido do que você queria.
Sempre acontece
Antes do que você imagina.

Corra!, você está atrasada
Vai!, vai apagar a marca
Que a vida mal-vivida deixou em você

Vai!, apagar a tristeza
Que o tempo esqueceu em mim.
Viva sempre esquecida
Ninguém nunca virá te buscar

Vai!, até que num dia cinza do talvez
Você possa descobrir

O que um dia esqueceu de sonhar

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Um deles é azul.

Um grande amigo me pediu e não posso deixar de atender – cheer it up. Tudo bem, prefiro o pessimismo, mas o artista também pode ensejar a fuga da realidade desvairada. Deixo vocês com um azul - os outros me parecem cinza.

À bien tôt.

Improvisos (Pedro Villardi)


Atingir um belo grave
Dar um chute forte e não acertar a trave.
Esquecer quem manda e quem é mandado
Só querer amar e ser amado

Fazer uma canção com o particípio passado
Ficar mais um pouco e esquecer que está cansado
Ter sempre quem você mais gosta do seu lado
E lembrar que não está atrasado

Ir sempre atrás do verso perfeito
Usar guitarras, distorções e milhares de efeitos
Querer ver sempre a casa cheia
Ir a praia e ficar jogado na areia.

Não querer saber que horas são
Discutir com alguém e deixar que fiquem com a razão
Escutar sua música favorita
Ficar sabendo que ela é a mais pedida

Conseguir fazer seu aluno te ganhar
Pensar sempre em alguém não importa onde ele está
Não ter nunca medo de errarE saber que a vida é feita pra sonhar

De olhos fechados eu posso voar
E ver o mundo de onde eu posso enxergar.

Nunca ensaiei nem passei o som
E vivo sempre numa improvisação
Sem poder errar nem voltar atrás
Sou que faço a vida, ou é ela quem me faz.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Chega


É, pelo visto o pessimismo fez mais sucesso.
Sendo assim, lanço-lhes este sobre a ferida cotidiana. Vejamos quem gosta.

A bien tôt.


Chega (Pedro Villardi)


Sozinho,
Como me sinto agora,
Nada interfere nessa solidão,
Que lateja como uma ferida recém aberta.

Sóbrio,
Mas esse esclarecimento me assusta,
Enquanto o torpor matinal me alucina.
Minha fortaleza de papel desmoronou!

Cansado,
Meu combustível já queimou
Toda motivação que se alternava
Com o aquele receio
Vaga no meu vazio incessante.

Pronto, chega!
Não vale mais a pena.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Há um Ideal

Camaradas,
Cá estou novamente.
Essa daqui eu escrevi em 2004, ano em que conheci uma das pessoas mais fascinantes em toda minha vida. Seu sonho é ser senadora e antes mesmo dela se candidatar, ela já tem meu voto e minha campanha: você será feliz. Vejo nos seus olhos.
A vida nos afastou, mas a homenagem ainda persiste.

À bien tôt.



Há um ideal. (Pedro Villardi)



A insistência que torna um sonho real,
A inconsistência de um sonho ainda não sonhado,
Revelam toda a amplitude de seus desejos fascinantes.

Não se assuste, não tenha medo, muito menos receio
Corra, grite, peça, pegue, beije, seja.
E lembre-se: há um ideal.

Algumas coisas são compromissos,
Outras, objetivos, outras, ainda, conseqüências,
Mas que todas te façam feliz do jeito que você quiser ser.

Que o medo da vergonha seja esquecido:
Também é preciso errar, também é preciso crescer,
E, de degrau em degrau, o brilho de sua estrela aumentará.

Que cada passo dado seja uma conquista,
E cada conquista, uma etapa
Para que cada uma delas liberte um pouco mais de destreza
[dentro do seu coração.]

Mas o principal é que, sempre,
Suas indecisões convirjam para suas realizações,
Fazendo você ser sempre você.

Enquanto tudo for para sempre,
E enquanto nunca for pra nada,
Você será feliz, vejo nos seus olhos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Entrego-me

Camaradas,
Depois de eras volto a ter um desses aqui. É bem verdade que o prósito mudou, e como mudou.
Cansei de ter vergonha de ser poeta.
Fiquei a vontade e viajem para onde queiram.

Esse primeiro surgiu as 4:30 da manhã, estudando.
À bien tôt.

Entrego-me (Pedro Villardi)


Chega.

Entrego-me a lucidez
Aos textos justificados
Ao grafite que escorre em letras enlatadas

Entrego-me aos cafés de corredor
À desordem ordenada
Aos livros empilhados

Entrego-me as idéias infindas
Aos versos em folhas em branco
Sem uma gota de saber

Entrego-me ao igual
Ao que eu não quero
Ao que recuso

Entrego-me ao que não sou
Ao ponteiro dos segundos
Às segundas-feiras sem sol

Entrego-me ao cinza
Agora é o preto no branco
Quadrado, quadrado, quadrado

Entrego-me à fumaça
À fábrica que grita
Ao engarrafamento
Ao massacre diário

Entrego-me a falta de pretensão
À miséria de espírito
À aceitação blazé.da realidade.

Pronto, pode me levar:
Sou todo seu.